Estudo aponta que convívio com animais de estimação pode prevenir doenças
24/08/2019 09:18

Contar com a companhia de um animal faz, literalmente, bem ao coração, diz um artigo publicado na revista Mayo Clinic Proceedings: Innovations, Quality & Outcomes. Diversas pesquisas têm apontado benefícios da presença de um pet em casa, e essa é a mais recente a mostrar que os melhores amigos — especialmente os cães — ajudam a prevenir doenças cardiovasculares. Outros estudos recentes constataram que cachorros também são terapêuticos no combate à depressão e à ansiedade.

O trabalho atual, realizado na República Tcheca, é a primeira análise de dados de um grande estudo populacional, o Kardiozive Brno 2030, que examina a associação da convivência com animais — especialmente cães — com os fatores de risco cardiovasculares. Foram analisados mais de 2 mil habitantes de Brno, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014. Essas pessoas serão acompanhadas em intervalos de cinco anos até 2030.

Na primeira avaliação, o estudo analisou 1.769 pessoas sem histórico de doença cardíaca e as classificou com base nos comportamentos e nos fatores de proteção listados no Life’s Simple 7, um conjunto de recomendações da Associação Norte-Americana do Coração para índice de massa corporal (IMC), tipo de dieta, atividade física, hábito de tabagismo, pressão arterial, glicemia e colesterol total.

Para cada um desses parâmetros, os participantes receberam uma pontuação. No fim, os pesquisadores compararam a performance dos tutores de animais de estimação e a dos que não contam com a companhia de pets. Em seguida, analisaram os pontos dos tutores de animais em geral e, especificamente, dos de cachorros.

“As pessoas com qualquer animal de estimação tinham maior probabilidade de relatar prática de atividade física, melhor dieta e apresentavam nível ideal de açúcar no sangue”, diz Andrea Maugeri, Ph.D., pesquisador do Centro Internacional de Pesquisa Clínica da Universidade de St. Anne. Do Hospital em Brno. “Os maiores beneficiários eram os tutores de cachorros, independentemente de idade, sexo e nível educacional”, completa.

Bem-estar mental

Maugeri diz que o resultado preliminar do estudo apoia a ideia de que as pessoas poderiam adotar, resgatar ou comprar um animal de estimação como uma estratégia em potencial para melhorar a saúde cardiovascular. “Desde que, é claro, a companhia do animal estimule um estilo de vida mais ativo”, observa. Em nota, Francisco Lopez-Jimenez, presidente da Divisão de Cardiologia Preventiva da Mayo Clinic, em Rochester, disse que ser tutor de um cão geralmente significa sair mais, se movimentar e brincar regularmente. “Ter um cão também foi associado, em outros estudos, a uma melhor saúde mental e a uma percepção menor de isolamento social, ambos fatores de risco para ataques cardiovasculares”, diz.

De fato, no ano passado, um estudo publicado na revista BMC Psychiatry, que avaliou resultados de 17 pesquisas prévias, concluiu que “os animais pareciam ser uma fonte consistente de conforto e afeto” na vida dos participantes, a maioria deles com transtornos como depressão e ansiedade. “Os animais de estimação forneceram apoio, ajudaram a acalmar e foram percebidos (pelos entrevistados) como tendo uma ‘sensação’ de quando eram necessários”, diz o artigo, assinado por pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Liverpool.

A estudante de engenharia Dayane Siqueira, 32 anos, vivenciou essa experiência quando, há seis anos, tornou-se companheira inseparável do golden retriever Chico. “Eu estava muito doente, vivia em hospitais e passei por várias internações, até que meus pais tiveram a ideia de comprar um cachorro. Eu não queria. Quando minha mãe me mostrou, eu nem quis olhar”, conta a jovem, que sofria de depressão.

“Minha vida era ficar dentro de um quarto. Não saía, não interagia mais com amigos nem com família, minha vontade era só dormir”, relata. “Chico chegou e mudou tudo. Aquela bolinha de pelos precisava gastar energia e me levava para o quintal para brincar com ele. Precisava que alguém o ensinasse a fazer xixi no lugar correto, a interagir com outros dogs... Aí ele despertou a luz na minha vida. Assim, meio sem perceber, eu já estava tendo vida novamente. Nesses seis anos, eu nunca mais precisei ser internada. Ainda tomo várias medicações, mas, mesmo assim, isso não interfere na nossa vida de passeios e eventos. Fizemos vários amigos no Brasil todo, e a vida ficou mais dourada. A todos que puderem conhecer esse amor, eu indico com toda certeza. Lambidas diárias e rabo abanando são o melhor remédio para qualquer problema na vida”, garante.

Edição Site TV Assembleia

Fonte: Correio Brasiliense
Imagem: Shutterstock
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