Forças Armadas começam a combater incêndios na Amazônia
25/08/2019 10:16

As Forças Armadas começaram neste sábado, 24, a operação de combate ao crescente número de incêndios na Amazônia em meio ao clamor mundial contra o presidente Jair Bolsonaro.

A preocupação pelos incêndios na maior floresta tropical do mundo concentrou parte da atenção do primeiro dia da cúpula do G7 em Biarritz, na França, e foi um dos “pontos de convergência” encontrados pelos presidentes Emmanuel Macron e Donald Trump, dos Estados Unidos, em um almoço.

Em Brasília, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, anunciou que as operações das Forças Armadas contras as queimadas começam em Rondônia, um dos sete estados dos nove que formam a Amazônia Legal e que pediram ao governo federal o envio de tropas.

A ação foi autorizada na véspera por Bolsonaro em um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza as forças no combate dos incêndios por um mês.

Foram enviados vários aviões de combate a incêndios, entre eles dois Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB), à capital do Estado, Porto Velho, uma cidade de meio milhão de habitantes coberta nos últimos dias por uma camada de fumaça.

De acordo com a FAB, as aeronaves modelo C-130 Hércules tem um equipamento composto por cinco tanques de água e dois tubos que se projetam pela porta traseira do avião, podendo carregar até 12.000 litros de água. Segundo o Ministério da Defesa, a ação desses aviões em Rondônia já fazem parte da GLO.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 1.663 incêndios foram identificados entre quinta e sexta-feira no Brasil, mais da metade deles na Amazônia, o maior dos seis biomas do país e lar de mais de 20 dos 210 milhões de habitantes do Brasil.

As cifras oficiais mostram que 78.383 incêndios florestais foram registrados no Brasil neste ano, o pior registro para esse período desde 2013.

Foto antiga

Uma das fotos publicadas no Twitter oficial do ministério da Defesa para divulgar a ação de combate aos incêndios é antiga, de uma operação na Chapada Diamantina (BA) em novembro de 2015. O presidente Jair Bolsonaro compartilhou o tuíte, que afirma que 43.000 militares podem reforçar a ação na Amazônia.

A assessoria de imprensa do ministério pediu desculpas por ter usado uma imagem de arquivo “meramente ilustrativa”.

Bolsonaro criticou o presidente Emmanuel Macron por ter usado uma foto antiga ao comentar sobre as queimadas na Amazônia. A imagem foi feita pelo fotojornalista da National Geographic Loren McIntyre, que morreu em 2003, nos Estados Unidos.

“Preocupada com a saúde”

Em um sobrevoo, na sexta-feira, por uma vasta área de densos bosques de Rondônia, jornalistas viram múltiplos focos de incêndio ao longo de vários quilômetros.

Em Porto Velho, em cujos arredores pode-se ver grandes áreas chamuscadas com troncos ainda fumegantes, várias pessoas afirmavam no sábado que a mistura de nuvens e neblina sobre a cidade é na realidade a fumaça procedente das chamas.

“Estou muito preocupada com o meio ambiente e a saúde”, disse Delmara Conceição Silva, babá de 43 anos. “Tenho uma filha com problemas respiratórios e ela sofre mais com as queimadas”, declarou.

Os especialistas atribuem o aumento dos incêndios ao avanço do desmatamento (o fogo é usado para limpar as áreas já desmatadas, abrir caminhos ou preparar a terra de cultivo).

No início desta semana, Bolsonaro insinuou que as ONGs poderiam ser as responsáveis pelos incêndios para chamar a atenção contra ele, depois de o governo ter cortado seus fundos. A declaração provocou uma onda de críticas nas redes sociais e nas ruas. Milhares de pessoas protestaram no Brasil e na Europa na sexta-feira e novas manifestações foram convocadas para este fim de semana.

“Mobilização de todas as potências”

Neste sábado, no início da cúpula do G7 em Biarritz, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma “mobilização de todas as potências” para sufocar as chamas que devoram a Amazônia, considerada vital para o futuro do planeta.

Há dias Macron critica Bolsonaro por sua gestão dos incêndios e ameaça junto com a Irlanda torpedear o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Ao mesmo tempo, a Finlândia disse que vai propor a proibição das importações de carne bovina brasileira ao bloco.

Neste sábado, porém, Alemanha, Reino Unido e Espanha afirmaram que são contra o boqueio do acordo com o Mercosul por conta da política ambiental brasileira.

Na sexta-feira, Bolsonaro advertiu que os incêndios “não podem servir de pretexto para possíveis sanções internacionais” e afirmou que “outros países” que lhe ofereceram ajuda “se colocaram à disposição para levar a posição brasileira ante o G7”, sem especificar quais.

Em um almoço improvisado em Biarritz, Macron abordou a questão dos incêndios com Trump, aliado de Bolsonaro.

Sobre a Amazônia, “tivemos elementos de convergência importantes”, disse a Presidência francesa após o encontro.

Como já fizeram países sul-americanos e europeus como Colômbia, Chile e Reino Unido, Trump ofereceu ajuda a Bolsonaro na sexta-feira. Segundo o presidente brasileiro, na conversa ambos mostraram “um desejo mútuo de lançar uma grande negociação comercial em breve”.

“Qualquer ajuda é bem-vinda, vamos avaliar”, disse neste sábado o ministro da Defesa.

Manifestantes vão às ruas em defesa da Amazônia

Organizações não governamentais (ONGs) realizam hoje (23), em várias cidades brasileiras, atos em defesa da Amazônia. Segundo o Greenpeace, uma das organizações que promovem os protestos, também estão previstas mobilizações para o fim de semana.

Brasília

Na capital federal, o protesto reuniu ativistas, estudantes e ambientalistas. O ato começou em frente ao Ministério do Meio Ambiente, onde houve projeção de frases com pedido de socorro à floresta e imagens de incêndios e queimadas.

Durante a manifestação, a principal via da Esplanada dos Ministérios teve cinco de suas seis faixas bloqueadas. Para diminuir o impacto no trânsito da capital federal, servidores públicos foram dispensados do trabalho por volta das 16h.

São Paulo

O protesto contra as queimadas na Floresta Amazônica começou por volta das 18h no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Por volta das 19h, as oito faixas de rolamento da avenida estavam tomadas pelos manifestantes.

Manifestação em defesa da Amazônia e em protesto contra queimadas na floresta, no Masp em São Paulo centro da cidade . REUTERS/Nacho Doce
Manifestação em defesa da Amazônia no centro da capital paulista - Reuters/Nacho Doce/Direitos reservados

Parte das pessoas presentes usava máscaras cirúrgicas em referência à poluição causada pelas queimadas. Nos cartazes que carregavam, havia o pedido de socorro pela floresta: “SOS Amazônia”, “Salvem o Futuro”, e “Pray for Amazônia” [Ore pela Amazônia], eram alguns dos dizeres nas faixas.

Rio de Janeiro 

No Rio de Janeiro, a mobilização teve início às 17h na Praça da Cinelância, no centro da cidade. Alguns manifestantes pintaram os rostos lembrando os povos indígenas da floresta amazônica. Cartazes cobravam mais fiscalização ambiental. Havia ainda imagens em homenagem ao seringueiro e ambientalista acriano Chico Mendes, assassinado em 1988.

Houve ainda um minuto de silêncio e espaço para grupos indígenas entoarem músicas acompanhadas de instrumentos de sopro. Por volta de 18h45, os manifestantes saíram em marcha até as proximidades do edifício do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de onde retornaram à Cinelândia para o encerramento do ato.

Rio de Janeiro - Manifestação em defesa da Amazônia e em protesto conrta queimadas na floresta, no centro da cidade. (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Manifestantes se reúnem no centro do Rio de Janeiro - Fernando Frazão/Agência Brasil

Edição Site TV Assembleia

Fonte: Veja - Com AFP/Agência Brasil
Imagem: Pedarilhosbr - Shutterstock
RUA DESEMBARGADOR MOTA, S/N - BAIRRO MONTE CASTELO/TERESINA-PI / CEP 64016-270 - TELEFONE (86) 3326 2300. Copyright © 2019 - TV Assembleia - Assembleia Legislativa do Piauí