Ministério da Educação e Inep anunciam adiamento do Enem por 30 a 60 dias
20/05/2020 17:06

O MEC (Ministério da Educação) e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) anunciaram nesta quarta-feira (20) que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano será adiado por 30 a 60 dias.

A prova, que estava prevista inicialmente para novembro, deve ser realizada agora em dezembro ou janeiro de 2021. Em média, 5 milhões de candidatos participam do Enem. Até o momento, segundo o MEC, mais de 4 milhões fizeram a inscrição para o exame deste ano.

"Atento às demandas da sociedade e às manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do coronavírus no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) decidiram pelo adiamento da aplicação dos exames nas versões impressa e digital. As datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais", diz um comunicado oficial.

A nota diz ainda que o período de inscrições para o exame segue inalterado. O prazo para cadastro termina às 23h59 desta sexta-feira (22). O texto também informa que o Inep realizará uma consulta aos inscritos no exame, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante.

Na terça-feira (19), um projeto de lei que prevê o adiamento do Enem e de outros vestibulares devido à pandemia do novo coronavírus foi aprovado pelo Senado. O texto será analisado hoje no plenário da Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), exigiu hoje uma garantia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o adiamento do Enem para que a Casa não vote ainda nesta quarta um projeto nesse sentido.

Entidades estudantissecretários de educação e reitores de instituições de ensino defendem o adiamento do exame sob a justificativa de que nem todos os estudantes têm condições sociais e financeiras de manter os estudos durante a pandemia ou nem sequer têm acesso às ferramentas necessárias para o ensino a distância, como celular e computador com acesso à internet.

Apesar da crise sanitária e do fechamento das escolas há cerca de dois meses, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vinha defendendo a manutenção do Enem em novembro.

Ainda na terça-feira (19), o ministro da Educação, Abraham Weintraub anunciou a realização de uma consulta aos inscritos no exame, a ser realizada na última semana de junho, para saber se os candidatos são favoráveis à manutenção da data, ao adiamento do exame por 30 dias ou à suspensão da prova até o fim da pandemia do novo coronavírus. "Nosso posicionamento é saber a opinião dos principais interessados, perguntando diretamente aos estudantes inscritos", escreveu o ministro.

Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Weintraub afirmou que a decisão tomada pelos candidatos será acatada pelo MEC, mas criticou os pedidos de adiamento do exame. "Se ficar para fevereiro ou março, na prática a gente vai perder o ano", disse.

Hoje mais cedo, no entanto, Weintraub recuou. Em uma rede social, o ministro sugeriu que o Enem fosse adiado por um período "de 30 a 60 dias". 

Inep

Para definir a nova data, o Inep promoverá uma enquete direcionada aos inscritos do Enem 2020, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante. As inscrições para o exame seguem abertas até as 23h59 desta sexta-feira, 22 de maio.

Mais cedo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, mencionou um possível adiamento do Enem, pelas redes sociais. Em sua conta no Twitter, ele informou que a decisão ocorre “diante dos recentes acontecimentos no Congresso” e após conversas com líderes do centrão.

A Câmara dos Deputados está pautada para votar hoje requerimento de urgência para a votação do projeto de lei (PL) 2623/2020, que adia o Enem enquanto durarem as medidas sanitárias emergenciais decorrentes da pandemia do novo coronavírus, mas com o adiamento anunciado pelo próprio MEC, há a possibilidade de a pauta ser derrubada.

Justiça

A realização do Enem também foi alvo de questionamentos judiciais. Nesta segunda-feira (18) a Defensoria Pública da União (DPU) entrou com recurso no Tribunal Regional Federal da 3ª Região pedindo que a decisão de manter o exame durante a pandemia do novo coronavírus seja revista.

Em abril, o órgão conseguiu uma liminar favorável ao adiamento das datas da prova, mas a medida foi derrubada pelo desembargador Antônio Cedenho atendendo a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Com informações


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