Brasil teve 1 em cada 4 mortes registradas por covid-19 no mundo em 24 horas, diz OMS
22/05/2020 10:55

O novo informe diário da OMS sobre a situação da covid-19, publicado na manhã desta sexta-feira, aponta que o Brasil representou um quarto das mortes registradas e confirmadas no mundo num período de 24 horas.

Essas pessoas não morreram nas últimas 24 horas. Mas tiveram seus casos confirmados neste período e informados à agência.

No total, a entidade informa que 4,4 mil casos fatais foram registrados no período avaliado em todo o mundo. No Brasil, os dados mostram 1.179 óbitos. Nos EUA, foram 932 casos. Os dados, porém, estão defasados. A coleta de informação foi concluída na manhã do dia 21 de maio. Mais recentemente, os dados americanos apontam para 1,5 mil mortes em um dia, o que iria superar o caso brasileiro.

Se forem considerados os dados nacionais mais recentes, o Brasil soma mais de 20 mil mortes, uma marca que apenas seis países no mundo atingiram.

No período registrado pela OMS, os Estados Unidos continuam com o maior número de casos, com 24.417 registros de pessoas contaminadas. O Brasil vem em segundo lugar, com 17.408, e a Rússia aparece na terceira posição, com 8.849.

Procurada pela coluna para comentar sobre a situação no Brasil, a OMS se referiu à avaliação da Organização Panamericana de Saúde (Opas).

"Como uma das últimas regiões do mundo a experimentar casos e transmissão da COVID-19, enquanto a curva da pandemia começa a cair em outras partes do mundo, o vírus está surgindo em toda a América Latina com a transmissão comunitária extensiva ocorrendo na maioria dos países da América do Sul e um número crescente de países da América Central", disse.

"É difícil prever exatamente o que vai acontecer na região. Entretanto, esperamos que a transmissão comunitária continue nas próximas semanas, inclusive em áreas altamente povoadas de países com grandes populações", admitiu.

"Portanto, a Opas tem aconselhado os países das Américas a continuar fortalecendo suas medidas de contenção e mitigação para retardar a epidemia e evitar a sobrecarga dos serviços de saúde", disse.

A entidade ainda indicou que a Opas pediu aos países que melhorem o acesso às medidas de saúde pública que sejam comprovadamente eficazes.

Em dados mais recentes, Brasil bate novo recorde e já ultrapassa os 300 mil casos da doença

O Brasil voltou a bater o recorde do número de mortes confirmadas pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas. Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (21/5), o país registrou mais 1.188 óbitos pela doença, e com isso, ultrapassou a marca de 20 mil mortes. A covid-19 já fez, até o momento, 20.047 vítimas fatais no Brasil. O país também ultrapassou os 300 mil casos ao confirmar mais 18.508 brasileiros infectados, que somados aos números anteriores totalizam 310.087 casos da doença. 

Com isso, o país continua em próximo da Rússia em relação ao número de infectados e, se continuar com o tendência de crescimento, deve se tornar o segundo país com mais incidência da doença no mundo. De acordo com o levantamento da Universidade Johns Hopkins, a Rússia soma 317,5 mil infecções. Já os Estados Unidos, que lidera o ranking, tem 1,57 milhão. 

Apesar de ter número superior de casos, a letalidade na Rússia está em 1%, enquanto a do Brasil é de 6,5%. De acordo com estudos do portal Covid-19 Brasil, grupo formado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de são Paulo (USP), o alto índice pode ser explicado pela subnotificação de casos no país, que não consegue alcançar infectados assintomáticos e casos leves. 

Para o diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância em Doenças Não Transmissíveis, Eduardo Macário, o Brasil tem conseguido aumentar a capacidade de testagens, o que justifica a explosão de novos casos. É por meio dessa estratégia que o Ministério da Saúde pretende se aproximar do real número de infecções. 

"Esses números refletem o aumento da capacidade laboratorial do Brasil por meio dos trabalhadores públicos com um quantitativo razoável de testes já distribuídos. A parceria público-privada está sendo trabalhada para, nos próximos dias,  reforçar essa estratégia de testagem. Isso vai dar ao Brasil a capacidade para que consiga analisar um maior número de casos e, com isso, reduzir sua subnotificação para que nós tenhamos uma dimensão epidemiológica mais real", disse Macário. 

No país, 3.488 cidades brasileiras tem registro de casos da doença, o que representa 62,6% do total. Em 20 de abril, eram 1.426 locais infectados (25,6%). 

Com informações:

Imagem: NM
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